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Quadrinhos asiáticos


Encontros no Manga Building

Com uma programação asiática, particularmente rica e eclética, o Festival de Angoulême tornou-se o centro da cultura mangá da França.

A fila era longa, sábado, 31 de janeiro, diante da mesa onde trabalhava Hiroshi Hirata, vestido em trajes tradicionais. O mestre japonês, distante de alguns metros da exposição, de uns vinte originais, que lhe foi consagrada, autografava livros de sua autoria e publicados na França, esbanjando elegantes caligrafias feitas com pincel com uma mão firme e segura. Alegria absoluta de seus admiradores que nunca tinham imaginado essa situação: encontrar-se diante de um verdadeiro mangaka em carne e osso e tão distante desse Japão tão admirado.

hiroshi-hirata

Além do mestre Hirata, o Festival apresentou uma bela exposição das obras de Shigeru Mizuki.

expo-shigeru-mizuki

O mundo da animação enriquecia o espaço Manga Building com Bleach, 20th Century Boys, Death Note e Ponyo sobre o penhasco de Hayao Miyazaki.

Conexões coreanas

Uma dezena de autores vindos diretamente de Seul, para descobrir no Museu do Papel, uma editora coreana, Sai Comics, completamente diferente de outras.

Eles chegaram à Angoulême cinco ou seis dias antes do início do Festival, após uma viagem de doze horas. Quase dez autores coreanos vindos de Seul, jovens em sua maioria, desembarcaram na região de Charente via Paris. Para alguns deles, era a primeira viagem fora de seu país. Todos, assim que chegaram, entregaram-se ao trabalho, conjuntamente, nos locais do Museu do Papel, para organizar a montagem da exposição consagrada a jovem editora independente que publica seus trabalhos na Coréia, Sai Comics.

Criada coletivamente, a exposição é, ao mesmo tempo, reflexo do espírito quase familiar que caracteriza os autores de Sai Comics e uma expressão da dimensão profundamente viva dos quadrinhos atuais. A exposição destaca um grande quadro mural realizado ao vivo, sob o olhar dos visitantes da exposição, por sete desenhistas de Sai Comics ao longo das jornadas do Festival. O mural será finalizado domingo, 01 de fevereiro, e propõe uma conjunção de curtas narrativas, sistematicamente, intimistas onde cada autor revela um aspecto de seu quotidiano em Seul.

Este envolvimento com o real, típico da linha editorial de Sai Comics, encontra-se sobre outros muros da exposição. Assim, diariamente, durante o Festival, os autores percorrem as ruas da cidade para recolher situações e, cada noite, eles apresentam os desenhos realizados durante o dia. Além disso, sobre mesas de trabalho, especialmente instaladas, dois autores alternam-se para trabalhar em público sobre histórias em quadrinhos em processo de realização para suas editoras. O conjunto completa-se de uns cinqüenta originais em quadros, em sua maioria em preto e branco.


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