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VI FIQ homenageia Renato Canini


Desde sua criação, o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte homenageia um autor nacional. Muitos autores brasileiros merecem ser homenageados. Infelizmente, temos que eleger apenas um nome. Em 1999, ano de criação do FIQ, homenageamos o autor paulista Angeli. Na segunda versão do evento, foi a vez do pernambucano Jô Oliveira. Em seguida, o mineiro Mozart Couto. Em 2005, o Festival convidou Lourenzo Mutarelli. Em 2007, o descendente de uma família de samurais aristocratas, Julio Shimamoto foi homenageado. Em sua sexta edição, o Festival decidiu homenagear o gaúcho Renato Canini. Todos os autores escolhidos possuem uma vasta obra reconhecida pelo público brasileiro.

Canini teve seu primeiro emprego aos 21 anos, na Secretaria de Educação e Cultura do Estado, fazendo ilustrações para a revista infantil Cacique. Foi o convite de um pastor, para ilustrar uma revista da Igreja Metodista que deu oportunidade a Canini de se mudar para São Paulo em 1967.

Depois de dois anos fazendo ilustrações bíblicas, Canini conseguiu uma oportunidade de trabalhar na Editora Abril. Ali, iniciou desenhando e escrevendo para a revista Recreio, mas logo estaria assumindo a atividade que talvez mais tenha marcado sua carreira, ilustrar as histórias de Zé Carioca.

renatocanini

Zé Carioca

No início dos anos 70, as histórias de Zé Carioca se resumiam a edições antigas, do início da existência do personagem, nas décadas de 40 e 50, ou adaptações para o universo de Zé Carioca de histórias de outros personagens como Mickey ou Pato Donald.

Aproveitando o impulso dado pela estruturação na Editora Abril de um estúdio para a criação de histórias Disney próprias e pelo interesse em manter o título Zé Carioca nas bancas, Canini, que havia voltado para Porto Alegre, começou a desenvolver histórias para o personagem, dando a ele uma continuidade que jamais teria se não tivesse havido essa iniciativa.

Canini modificou os trajes, trocando o paletó e a gravata borboleta do personagem por uma camiseta, e ao lado de outros profissionais da casa, ajudou a trazer a ambientação da história para um contexto de maior brasilidade, com os morros, o campinho de futebol, a feijoada.

Sem deixar de lado o bom humor, Canini enfatiza que fez tudo isso sem jamais ter estado no Rio de Janeiro.

zecarioca

Personagens

Canini também criou um considerável repertório de personagens próprios. Dr. Fraud era um psiquiatra, ou psicólogo, que circulou durante cerca de três edições da revista Patota, da Editora Artenova. Em 1991, foi relançado em um álbum pela editora Sagra-DC Luzatto.

De uma proposta da Editora Abril de fazer uma revista em quadrinhos totalmente nacional, a Revista Crás! surgiu Kactus Kid, uma paródia dos velhos caubóis do faroeste. Inspirado no visual de Kirk Douglas, Kactus Kid era o dono de uma funerária em busca de clientes. Canini informa que o nome original, “Koka Kid”, foi mudado por alguém na editora sem sua autorização.

Em 1978, Canini criou para o Projeto Tiras, também da Abril, o indiozinho Tibica. Tibica chegou a ser publicado em jornais pelo país afora e continuou a ser desenhado mesmo depois de ter a sua publicação suspensa, afinal, segundo Canini, trata-se de uma de suas mais significativas criações: “O Tibica foi publicado em vários jornais do país. Ele era ecológico, amava Deus e a natureza. Estou avaliando uma possibilidade de voltar a publicá-lo. Isso me faria muito bem”.

CETPA

No início dos anos 60, Canini reuniu-se com outros desenhistas como Júlio Shimamoto, Getúlio Delphin, João Mattini, Bendatti, Flávio Teixeira, Luiz Saidenberg para criar a CETPA, Cooperativa Editora de Trabalho de Porto Alegre, uma idéia do desenhista carioca José Geraldo Barreto Dias, que tinha trabalhado para a EBAL, (Editora Brasil América). Apoiada por Leonel Brizola, então governador gaúcho, a proposta da CETPA era nacionalizar as Histórias em Quadrinhos. Canini participava com o personagem Zé Candango, um cangaceiro que vivia atormentando os super-heróis americanos, os textos eram de José Geraldo e o personagem chegou a sair no Jornal do Brasil e no Zero Hora, de Porto Alegre. A cooperativa durou cerca de dois anos, mas não conseguiu se manter diante da turbulência geral causada pela renúncia de Jânio Quadros.

(Fonte: Wikipedia)

Kactus Canini Kid, uma Graficobioanimada: Documentário de Lancast Mota (2004): 13 min.

O Pelé do Grafismo: Não conhece Renato Canini? O homem que virou a casaca do Zé Carioca? Que encheu de alegria a revista Recreio? Que fez coveiro virar caubói? Então não perca este documentário que conta a trajetória do desenhista e de seus personagens, como o Zé Candango, sua primeira criação.  Assista no Porta Curtas.

Há quase oito anos, o site Universo HQ entrevistava Renato Canini. Vale a pena conferir.


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