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BH TRANSFORMA-SE NA CAPITAL INTERNACIONAL DOS QUADRINHOS DURANTE A 6ª EDIÇÃO DO FIQ


 

Festival Internacional de Quadrinhos [FIQ] chega à sua 6ª edição com nomes consagrados do quadrinismo brasileiro e mundial. Microcosmo do que de melhor vem sendo feito no segmento, evento acontece entre 06 e 12 de outubro, no Palácio das Artes e Parque Municipal, e faz parte do calendário do Ano da França no Brasil. Toda a programação tem entrada franca.

Retalhos, de Craig Thompson

Retalhos, de Craig Thompson

Do Zé Carioca ao Batman, das graphic novels norte-americanas aos mangás, das HQs confessionais canadenses e francesas passando por nomes consagrados do novo quadrinismo mundo afora, sempre atento ao que há de melhor no segmento. Eis o mote da 6ª edição do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, que será realizada em Belo Horizonte de 06 a 12 de outubro, das 9h às 21h30, com entrada gratuita, nas dependências do Palácio das Artes e Parque Municipal.

Nomes essenciais da ilustração mundial participam do evento, como o norte-americano Craig Thompson, o australiano Ben Templesmith, o argentino Liniers, os brasileiros Maurício de Sousa, Joe Bennett, Rafael Grampá, Fábio Moon e Gabriel Bá, o chinês Zhang Bin [Benjamin], além de outros artistas vindos de países como Alemanha, Grécia, Itália, Espanha e vários estados do Brasil. Da França, país homenageado, vêm os artistas Cizo, Fréderic Felder, Olivier Tallec e Guy Delisle.

Palestras, mostras de quadrinhos, bate-papos, oficinas e mostra de cinema também compõem a programação, que contempla ainda os Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura. O evento integra o Ano da França no Brasil e também homenageia o desenhista Renato Canini e a ilustradora Ciça Fittipaldi. O FIQ é uma realização da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e da Editora Casa XXI, com patrocínio da Oi e Correios. Informações complementares em fiqbh.com.br/6fiq e twitter.com/6fiq.

FRANÇA: REDUTO DOS QUADRINHOS

Como parte da comemorações do Ano da França no Brasil, o FIQ também presta homenagem àquele país. Um braço do festival dedica-se inteiramente ao desenho feito na terra de Napoleão Bonaparte - tema da identidade visual deste FIQ -, que, aliás, possui forte tradição na arte dos quadrinhos e ilustração, sendo considerado o país europeu que mais dá valor às HQs. Os quadrinhos ocupam uma fatia de cerca de 20% de todo mercado editorial. Por lá acaba de ser inaugurado o maior museu do segmento na Europa, na cidade de Angoulême, no sudoeste da França. Na mesma cidade também acontece um dos maiores festivais de quadrinhos do planeta. Na França, as histórias em quadrinhos são chamadas de “Bande Dessinée”[BDs] e o público que as lê é numeroso. Geralmente são publicadas em grandes formatos, com capa dura e procuram agradar a todos: há quadrinhos de direita, de esquerda, de vanguarda, conservadores, de ficção científica, policiais, infantis ou adultos, eróticos. Personagens conhecidos em todo o mundo foram criados lá: Tintin, Astérix, Bécassine, Corto Maltese, Zig e Puce, são apenas alguns deles.

Por esta importância no mundo dos quadrinhos, o FIQ traz a BH artistas franceses que estão participando do que de mais atual vem sendo elaborado naquele país. Elencamos abaixo as atrações francesas: 

· Os quadrinistas Cizo e Frédéric Felder irão trazer a exposição “Supermercado Ferraile”, que faz uma espécie de paródia do supermercado e visa criticar a sociedade de consumo. Nas prateleiras, os artistas exibem produtos com rótulos e slogans curiosos, muitas vezes com mensagens que questionam o consumo exagerado da população em geral, tudo salpicado com muito humor, às vezes cáustico. Os artistas vieram a BH meses antes da realização do FIQ para perceberem os costumes locais e os produtos mais comumente consumidos por aqui. O público será surpreendido com produtos estranhos nas prateleiras, como o kit Maria-Chuteira, o leite de boi e a pizza em lata. Dois comediantes animam a exposição e oferecem ainda degustação de vinho para quem se arrisca ir às compras. O objetivo dos ilustradores é fazer arte com o ato de comprar e consumir. Tudo que será exibido no supermercado realmente estará à venda. A exposição já foi montada na França, Suíça, Bélgica e Bolívia.

· Isto é a França: o país homenageado pela 6ª edição do FIQ vai contar com esta exposição toda dedicada aos quadrinhos que remetem aos costumes franceses. Quinze autores franceses e quinze brasileiros foram convocados a ilustrar a França em HQs.

· Mostra de importantes quadrinistas franceses nos Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura.

· Guy Delisle: nasceu no Canadá, mas atualmente é um dos principais quadrinistas da França. Também é realizador de curta-metragens e já trabalhou com animação na China e Coréia do Norte.

· Olivier Tallec: desenhista e ilustrador com vários livros infantis publicados na França. Também publica em alguns veículos da imprensa, como Libération e Elle.

Negrinha, de Olivier Tallec
Negrinha, de Jean-Christophe Camus e Olivier Tallec

 · Jean-Christophe Camus: diretor-artístico da Editora Delcourt, importante selo de quadrinhos da França. É autor de “Negrinha”, livro baseado na história de sua família.

AS HOMENAGENS

Como de praxe, toda edição o FIQ presta homenagem a grandes profissionais da área da ilustração e desenho que tenham contribuído para o desenvolvimento do quadrinho brasileiro. A ilustradora homenageada é Ciça Fittipaldi, cuja carreira teve início Jornal de Brasília, em 1973. É autora de vários livros infantis que recontam mitos de diversas culturas existentes no Brasil, com profunda inspiração no folclore e cultura indígena. É também professora de ilustração e design editorial no curso de Design Gráfico na Universidade Federal de Goiás e pesquisadora das visualidades e das narrativas orais indígenas e afro-brasileiras. Nascida em São Paulo, a ilustradora mora atualmente em Goiânia e já ilustrou mais de cinquenta livros infanto-juvenis. Ganhou por duas vezes o Prêmio Jabuti de melhor ilustradora. Seus principais trabalhos em ilustração serão exibidos em mostra durante o FIQ.

Renato Canini é o outro homenageado da 6ª edição do FIQ. Durante anos o gaúcho foi o responsável pela ilustração do Zé Carioca, o papagaio marrento que faz sucesso desde metade do século passado. Canini iniciou sua carreira em 1967, fazendo ilustrações para revistas infantis. Em 1969 começa a trabalhar na Editora Abril, desenhando e escrevendo para a revista Recreio, mas não tarda para que ele comece a ilustrar as histórias do Zé Carioca. É considerado um dos melhores desenhistas de toda a história do personagem, pois além de seu traço característico, deu ao papagaio uma identidade brasileira, sempre remetendo aos costumes dos morros cariocas e tendo o humor como característica constante. Detalhe: Canini jamais pisou no Rio de Janeiro. Uma exposição antológica de seus trabalhos será montada no evento.

Por último, o evento presta justa homenagem a Wililam Salvador, cineasta, quadrinista e colaborador de várias edições do FIQ, falecido no ano passado.

O QUADRINHO BRASILEIRO

O mercado para o quadrinho brasileiro vem se expandindo cada vez mais. Seja nos grandes estúdios ou mesmo no meio underground, já percebeu-se o poder do traço e da identidade brasileira. Existem ilustradores brasileiros em vários grandes projetos mundo afora e não raro seus nomes constam das grandes premiações do segmento. Por essa profissionalização cada vez mais imperativa do setor, vários desses desenhistas estarão presentes durante o 6º FIQ, pois sabem da importância e reconhecimento que o evento tem. Alguns deles:

· Rafael Grampá: grande destaque da nova geração brasileira de quadrinistas, foi vencedor do Eisner Awards 2008 na categoria de melhor antologia com a HQ “5″, em parceria com Fábio Moon, Gabriel Bá, Vasilis Lolos e Becky Cloonan.

· Fábio Moon e Gabriel Bá: os irmãos gêmeos são os quadrinhistas nacionais mais premiados da atualidade, com trabalhos publicados no Brasil, EUA, Espanha e Itália.

· Ivan Reis: um dos principais artistas de quadrinhos de super-heróis de atualidade, já comparado a grandes nomes como Neal Adams e George Pérez. Artista exclusivo da DC Comics.

· Adão Iturrusgarai: publica sua tira diária no jornal Folha de S. Paulo. No exterior, publica na revista Internazionale [ITA] e revista Fierro [ARG]. Aline, um de seus personagens mais conhecidos, vai virar seriado de televisão na Rede Globo.

· Joe Bennett: nascido em Belém, considerado um dos brasileiros mais conhecidos nos quadrinhos ficcionais, colaborador da DC Comics, já desenhou grandes personagens, como Batman, Gavião Negro e Teen Titans.

· Will Conrad: mineiro, o desenhista trabalha para o mercado americano de quadrinhos há 8 anos. Foi desenhista principal de editoras como Marvel, DC Comics, Top Cow e Dark Horse. Atualmente trabalha na Marvel Comics como desenhista regular da série Black Panther.

· Eddy Barrows: foi o artista regular da série G.I. Joe nas séries Front Line, G.I. Joe Reloaded e Cobra Reborn. Desde 2006 é artista exclusivo da DC Comics. Atualmente desenha Blackest Night: Superman, título ligado ao grande evento da editora neste ano.

Ilustração de Eddy Barrows
Ilustração de Eddy Barrows

 · Rafael Albuquerque: foi indicado ao Eisner 2008 com o álbum “24Seven – vol.2″. Atualmente é artista exclusivo da DC Comics, trabalhando em títulos como “Blue Beetle”, “Robin”, “Stranger Adventures” e “Superman/Batman”.

· Wellington Srbek: pesquisador e professor de quadrinhos, roteirista e editor premiado nacionalmente. É autor do álbum Estórias Gerais e da série Solar. Atualmente produz o blog Mais Quadrinhos.


Comentários dos Leitores

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Uma pena que não moro em BH. Adoro o quadrinho europeu e o francês, nem se fala. É por isso que vi dois errinhos na matéria: Tintim e Corto Maltese não são da França. Um é do belga Hergé e o outro, do italiano Hugo Pratt. Afora isso, texto muito bom.

Eu vou amanhã, sábado. Com certeza será incrivel. Este calendário da frança no Brasil está trazendo muita coisa legal pra BH :)

Quando pequena eu curtia muito Bolinha, Luluzinha, Fantasma, Mandrake, Zé Carioca, Pato Donald, Tio Patinhas e outros. Acho muito legal, principalmente para crianças, que pode ser um grande veículo de informações e por que não de educação? Através das histórias em quadrinhos podemos plantar várias sementinhas: de ecologia, de educação, de honestidade, de bondade, o gosto pela língua, etc, etc. Olha só quanta coisa boa!
Quadrinhos só pode ser tudo de bom!

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